Uma pedra cai e a gente já quer que as personagens parem de se mexer. “A Queda 2: No Limite” ainda sabe provocar esse tipo de reação. Basta um rangido para qualquer tentativa de sair do lugar parecer uma péssima ideia. Mesmo quando é fácil adivinhar que alguma coisa vai dar errado, o nervosismo aparece. Quem tem medo de altura provavelmente vai passar boa parte do filme agradecendo por estar sentado em segurança.
Esse é o principal motivo para embarcar na continuação. Ela entrega mais daquela aflição que fez o primeiro funcionar, embora surpreenda bem menos. Dá para acompanhar o sufoco, prender a respiração em algumas cenas e, ao mesmo tempo, reconhecer quase tudo o que o roteiro está preparando. O filme parece contar bastante com a disposição do público de repetir a experiência.
Pelo menos a vista mudou. Quatro anos depois de “A Queda”, os diretores Michael e Peter Spierig deixam a torre para trás e levam a aventura a uma montanha na Tailândia. A troca rende imagens bonitas, e os planos abertos ajudam a mostrar o tamanho da encrenca. Qualquer possibilidade de socorro parece longe demais, o que já resolve uma boa parte do trabalho de criar tensão.
Pena que algumas dessas imagens também deixem os efeitos visuais à mostra. Em certos planos, a tela verde fica evidente. É o suficiente para dar uma pequena folga ao nervosismo. O som tenta manter a ameaça por perto, mas fica mais difícil se preocupar quando o cenário começa a parecer artificial.
No meio desse perigo está Jax Hunter, vivida por Harriet Slater. Ela ainda lida com a morte da irmã, Shiloh (Virginia Gardner), quando se aproxima de Luce (Arsema Thomas), uma amiga dela. Dessa relação surge o convite para uma travessia pelas estruturas do Monte Kwan. Um deslizamento interrompe o caminho e deixa as duas presas a milhares de metros de altura.
O luto de Jax abre espaço para alguns dos melhores momentos de Slater. A atriz convence tanto na dor pela perda quanto no desespero da sobrevivência, e Thomas é uma boa companhia em cena. A relação entre as duas ajuda a manter o interesse quando os obstáculos começam a ficar familiares.
Torcer por elas, porém, exige alguma paciência. Há decisões que fazem a gente interromper mentalmente o filme para perguntar por que alguém faria aquilo. Um pouco disso faz parte da diversão de um suspense de sobrevivência. Quando acontece demais, começa a atrapalhar: a preocupação com as personagens divide espaço com a irritação pelas escolhas delas.
O roteiro de Jonathan Frank e Scott Mann tenta recuperar a surpresa com algumas revelações perto do final. Nem todas convencem, sobretudo quando parecem surgir apenas para dar uma sacudida na história. O primeiro filme tirava bastante proveito de uma situação simples. Aqui, os acréscimos nem sempre tornam a aventura mais interessante.
Ao fim dos 98 minutos, “A Queda 2: No Limite” deixa a impressão de ter aproveitado quase tudo o que já estava pronto. Para quem gostou muito do anterior e procura outro suspense nas alturas, ainda há diversão no sufoco. Só vale chegar com a expectativa ajustada. A paisagem é nova, mas quem lembra da primeira subida dificilmente vai se surpreender com esta.
