Depois de um ano marcado por mudanças nas grandes maisons, novos diretores criativos e uma verdadeira reorganização da indústria, as semanas de moda que começam em setembro podem revelar muito mais do que tendências para o próximo verão.Em setembro, a moda volta a entrar no seu período mais importante do ano.
Nova York abre a temporada entre os dias 10 e 15. Depois, Londres recebe a indústria de 17 a 21. Milão assume o calendário entre 22 e 28 de setembro e Paris encerra o Fashion Month de 28 de setembro a 6 de outubro.
Uma temporada de novos capítulos
Se os últimos anos foram marcados por trocas constantes nas direções criativas, o segundo semestre de 2026 é o momento em que muitas dessas mudanças começam, de fato, a aparecer nas passarelas.Em Londres, por exemplo, a temporada marca o retorno da McQueen à cidade e uma nova fase para a Mulberry, agora com Christopher Kane à frente da moda feminina. A movimentação devolve parte da força de grandes nomes britânicos ao calendário local e reforça uma discussão que deve aparecer durante toda a temporada: a relação entre herança e renovação.
Em Nova York, também há espaço para novos capítulos. Henry Zankov estreia como diretor criativo da Diane von Furstenberg, enquanto novos nomes e marcas emergentes ganham espaço ao lado de casas já consolidadas. A temporada ainda reúne aniversários importantes, como os 85 anos da Coach e os 25 anos de Carolina Herrera em Nova York.
Milão chega igualmente movimentada. O calendário abre com Prada e inclui Gucci, Fendi, Jil Sander e Bottega Veneta, além da estreia dos novos diretores criativos da Moschino. Também será a segunda apresentação de Demna à frente da Gucci, depois de sua chegada à maison ter se tornado uma das principais mudanças criativas da indústria.
Em Paris, a expectativa é ainda maior. A cidade concentra algumas das marcas mais observadas do calendário e reúne novos capítulos criativos, grandes retornos e estreias. Dior e Chanel estão entre as maisons que chegam à temporada sob novas direções criativas, em uma programação que também marca retornos importantes de nomes como Maison Margiela e Miu Miu.
E o que isso pode mudar nas roupas?
Antes mesmo do início do Fashion Month, algumas direções já começam a se consolidar. A WGSN identifica para Primavera/Verão 2026/27 uma saída gradual do minimalismo extremo e uma busca por propostas mais criativas, expressivas e lúdicas.
Os poás aparecem como uma das estampas mais relevantes da temporada, enquanto o paisley e outras padronagens clássicas voltam a ganhar espaço. A leitura é clara: depois de anos dominados pelo chamado luxo discreto, existe uma procura crescente por peças que tenham mais personalidade.
Os anos 1980 continuam no radar
Outra direção apontada pela WGSN é a releitura dos anos 1980. Ombros marcados, alfaiataria exagerada, brilho, glamour e proporções mais expressivas voltam a aparecer como referências importantes para a Primavera/Verão 2026/27. O movimento também se conecta ao retorno do poder da roupa como ferramenta de autoexpressão.
E talvez seja justamente aqui que as novas direções criativas possam fazer a diferença. Depois de anos em que o minimalismo se tornou quase uma linguagem universal entre as marcas de luxo, existe espaço para que cada maison volte a explorar aquilo que a torna única.
Não esperamos que todas as marcas abandonem a simplicidade. Mas esperamos ver mais identidade. Mais códigos próprios. Mais referências históricas. Mais roupas que, antes mesmo de vermos o logo, nos façam entender de onde elas vêm. A silhueta também está mudando
Em Copenhague, que já apresentou sua temporada Primavera/Verão 2027 em agosto, algumas pistas começaram a aparecer.Transparências, camadas leves, alfaiataria suave, capri pants, peplums e peças com movimento estiveram entre as direções observadas nas passarelas. Franjas, rendas e volumes também apareceram como elementos capazes de trazer uma sensação mais tátil e expressiva para o guarda-roupa.
No denim, a WGSN também aponta uma evolução das modelagens oversized. Para Primavera/Verão 2027, o jeans amplo deixa de estar associado apenas ao streetwear e passa a ganhar construções mais refinadas e proporções pensadas para looks de diferentes ocasiões.
O que estamos esperando ver?
As semanas de moda que começam agora chegam em um momento de transição. Não apenas porque uma nova temporada está começando, mas porque a própria indústria está passando por mudanças. Novos diretores criativos assumem grandes maisons. Marcas tradicionais tentam encontrar novas formas de conversar com públicos mais jovens. O entretenimento, o esporte e a cultura digital ocupam cada vez mais espaço no universo fashion.
Até mesmo os lugares da primeira fila refletem essa mudança. Uma análise da Vogue sobre o Fashion Month de setembro aponta o crescimento da presença de novos nomes da televisão, música, esporte e cultura digital nas relações entre celebridades e marcas. Por isso, nossa expectativa para a Primavera/Verão 2027 não é encontrar apenas uma nova cor, uma nova calça ou um novo tipo de sapato.
Estamos esperando ver quem vai definir o próximo momento da moda.
Estamos esperando descobrir como Dior e Chanel vão construir seus novos capítulos. Como a Gucci vai continuar sua transformação. O que os novos nomes vão fazer com marcas que carregam décadas de história. Como Londres vai responder ao retorno de algumas de suas maiores casas. E quais jovens designers podem sair desta temporada como os próximos nomes a acompanhar.
para saber mais:
https://www.wgsn.com/pt/blog/dados-analiticos-tendencias-das-passarelas-p-v-26-27
