“Só Por Uma Noite” e a busca por conexões em um mundo obcecado pelo desejo

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Lohany Sorgen

Em um mundo onde solteiros só podem ter relações sexuais em uma única noite por ano, as conexões de verdade parecem ainda mais raras e a própria forma de perceber o amor, completamente diferente. Essa é a premissa de Só Por Uma Noite, filme que estreia hoje, 20 de agosto, nos cinemas, e acompanha a história de Owen e Allie em um Estados Unidos onde um decreto proíbe o sexo antes do casamento.

A trama nos apresenta, logo de cara, esse toque de distopia: um governo convicto da eficácia da lei e uma Nova York polarizada entre quem a apoia e quem é contra. Assim, os solteiros passam o ano inteiro esperando por apenas uma noite: seja para aproveitar as doze horas de liberdade com seus parceiros, seja para sair em busca de alguém. E, quando ela finalmente chega, a cidade inteira se transforma.

É nesse contexto que somos apresentados a dois personagens extremamente cativantes. Owen, interpretado por Callum Turner, enfrenta uma decepção justamente quando acreditava que aquela noite poderia mudar o resto de sua vida. Allie, vivida por Monica Barbaro, busca uma conexão real em um momento em que praticamente todos estão interessados apenas em aproveitar a liberação do decreto.

Os dois são personagens fáceis de se identificar e conseguem prender a atenção a cada momento, mas principalmente quando estão juntos. Meu único contato anterior com Callum havia sido em Eternity, e aqui ele mostra um lado cômico na medida certa. Já Monica parece ter nascido para fazer comédias românticas. Eles funcionam muito bem individualmente, mas, como casal, fazem a gente torcer a cada segundo. Os personagens secundários também cumprem bem seu papel, seja para nos conquistar ou para nos fazer passar um pouco de raiva, e ajudam a trazer ao filme uma camada extra de humor.

Dirigido por Will Gluck, responsável por longas como A Mentira e Todos Menos Você, Só Por Uma Noite deixa claras as referências e até algumas fórmulas já conhecidas de suas obras anteriores. E, nesse caso, isso funciona muito bem. O filme abraça aquilo que se espera de uma boa comédia romântica: personagens carismáticos, situações absurdas, química entre o casal e, principalmente, muito humor. É impossível não sair da sala de cinema sem ter dado algumas gargalhadas. 

Dessa forma, o filme pode parecer talvez um pouco superficial à primeira vista, mas ele nos mostra o poder de uma conexão genuína nos dias de hoje e nos faz questionar sobre a importancia, ou não, do sexo em uma relação. Aqui na Style, já escrevi algumas matérias sobre essa temática, mas o filme (e especialmente o final, mas não darei spoilers), me fez questionar para muito além disso: afinal, em um momento em que parece cada vez mais difícil estabelecer conexões verdadeiras, o que realmente faz uma relação ser significativa? O sexo é parte essencial disso ou apenas uma das muitas formas de intimidade que construímos com alguém?

E talvez seja justamente aí que Só Por Uma Noite encontre seu ponto mais interessante. Por trás de uma premissa perspicaz e de uma comédia romântica aparentemente leve, o filme fala sobre desejo, intimidade, expectativa e, principalmente, sobre a nossa necessidade de sermos vistos e escolhidos por alguém. E, em uma história que coloca o sexo como o grande acontecimento do ano, é curioso perceber que o que realmente move os personagens está em outro lugar.

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