O retorno da beleza natural: os padrões estão se invertendo?

A beleza, agora, caminha para a naturalidade, com procedimentos mais sutis e com foco na individualidade.
Foto de Giovana Brum

Giovana Brum

Durante a década de 2010, a estética dominante dos padrões de beleza e nas redes sociais era marcada por procedimentos visíveis e transformações radicais: lábios volumosos, contornos faciais extremamente definidos, glúteos grandes e silhuetas muito curvilíneas se consolidaram como padrão de beleza, em grande parte impulsionado por celebridades (como as irmãs Kardashian-Jenner).

Foto: REX/Shutterstock

Nesse período, até meados de 2018, procedimentos como o preenchimento labial, harmonização facial e aplicação de ácido hialurônico cresceram exponencialmente, muitas vezes buscando resultados marcados e facilmente perceptíveis. Uma matéria de 2019 da Revista Super mostra dados: entre 2012 e 2017, procedimentos com injetáveis aumentaram 40,6% nos Estados Unidos, e no Brasil, 80%.

Nos últimos anos, entretanto, a partir de 2021, no período pós-pandemia, esse cenário começou a mudar. Um novo movimento estético, frequentemente chamado de ‘quiet beauty’ ou ‘beauty minimalism’ tem ganhado força junto a estética das ‘clean girls’, valorizando traços naturais, procedimentos mais sutis e resultados quase imperceptíveis.

Essa transformação pode ser observada tanto nas clínicas, quanto entre as celebridades. Algumas figuras públicas passaram a reverter procedimentos antigos ou adotar abordagens mais discretas, como as influenciadoras brasileiras Gkay e Nina Miano, que já comentaram sobre a remoção de preenchimentos faciais.

Fotos: Reprodução/Instagram

Em entrevista com a influenciadora digital Blogueirinha, no ‘De Frente com Blogueirinha’, Gkay revelou que retirou três litros de ácido hialurônico do rosto: “Eu tinha um pouco de distorção de imagem”, ela disse. Ela ainda afirmou que hoje, se sente muito melhor: “Achei que ia ficar com a autoestima mais baixa, mas foi ao contrário.” Em outra entrevista, ela reforça:

“Depois que tirei tudo, hoje vejo as minhas fotos de antes, vejo que estava muito exagerado, que marcava o meu rosto e pesava. Hoje, é só aquele botoxzinho na testa, um lazerzinho, e está ótimo”.

 

Foto: Reprodução/Instagram

 

 

 

Na própria família Kardashian, conhecida por influenciar padrões estéticos globais, também surgiram sinais dessa mudança: Kylie Jenner revelou ter retirado parte de seu preenchimento labial, anos depois de popularizar o procedimento.

 

 

Diante dessa possível virada de tendência, surge a pergunta: os padrões de beleza estão realmente mudando ou apenas evoluindo?

 

A biomédica Eduarda Lápis, que atua há dois anos em uma clínica especializada em harmonização facial, observa que a procura por procedimentos estéticos segue em crescimento. Segundo ela, no entanto, o perfil das pacientes mudou: hoje há uma busca maior por naturalidade e por tratamentos que priorizem a qualidade da pele, não apenas transformações estruturais.

“Hoje valorizamos muito mais a individualidade do paciente do que seguir um padrão estético”.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Procedimentos como toxina botulínica e preenchimento continuam entre os mais procurados, mas com uma abordagem diferente: resultados mais sutis e harmônicos. Eduarda também relata que tem recebido com frequência pacientes interessadas em ajustar ou até remover intervenções antigas, principalmente casos de preenchimentos feitos há anos, em que houve excesso de produto ou migração.

De modo geral, ela percebe que as pacientes estão mais cautelosas em relação a exageros estéticos e demonstram maior preocupação com a harmonia facial e com evitar resultados artificiais. As redes sociais ainda exercem influência nas escolhas, mas, segundo ela, o público está mais informado e crítico na hora de decidir pelos procedimentos.

 

Para o futuro da área, a tendência, na visão da biomédica, é uma estética cada vez mais minimalista e preventiva: “A tendência é investir em pequenas intervenções ao longo do tempo, com foco na prevenção”, ela afirma. Nesse cenário, tratamentos de pele e bioestimuladores devem ganhar ainda mais espaço, por estimularem a saúde da pele a longo prazo e proporcionarem resultados naturais, sem alterar as características do rosto.

Foto: Reprodução/Pinterest

 

 

 

Se antes o objetivo era transformar o rosto, hoje a busca caminha para outra direção: parecer melhor, sem parecer que houve intervenção. A nova estética valoriza aquilo que durante muito tempo ficou em segundo plano: a naturalidade.

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